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Aves da Cidade de São Paulo
Guia de alguns pássaros que voltaram a habitar São Paulo.


É fácil atrair aves. Até é possível tê-las ao alcance dos olhos e quase poder pegá-las com as mãos. Tudo isso no jardim ou até na janela de qualquer casa, mesmo numa cidade grande.

Como fazer isso? Basta oferecer-lhes alimento e proteção, dois requisitos básicos para sua sobrevivência. Em pouco tempo teremos pardais, rolinhas, bem-te-vis, sabiás, beija-flores e sanhaços praticamente batendo em nossa porta e em horários certos.

Sentado em uma cadeira de jardim ou mesmo da sala ou cozinha, é possível deleitar-se com cenas maravilhosas de rixas, volteios, pousos e decolagens das aves no momento da refeição.

O que se tem a fazer é preparar o banquete. A mesa posta deve ser simples. Não é necessária nenhuma sofisticação, nem deve ter muita comida no início. Geralmente nem é preciso muita propaganda. No começo é comum demorar para algum freguês aparecer. Não se pode cair no desânimo. Aos poucos eles vão chegando. De início são bem tímidos. Entre um grão e outro, olham desconfiados e rapidamente podem alcançar vôo ao menor barulho. Com o tempo tornam-se mais afoitos. Aparecem a qualquer hora. Nas primeiras "visitas" fica difícil controlar a voracidade, o horário da fome e a quantidade que eles consomem. Mas em pouco tempo a freguesia fica ordeira. Comparece na hora certa, nem mais nem menos. Se a comida está atrasada esperam, porque não há outro jeito. Saltitam de lá para cá. Ao ver o alimento, a fome é maior que o medo! Basta o garçom afastar-se poucos metros e lá estão eles, disputando grão por grão ou cada centímetro de fruta. Com o papo cheio, nada mais agradável do que um golinho d'água e o vôo até o galho mais próximo. Limpar o bico é uma questão de higiene que rapidamente se cumpre. Depois o cantar ou um vôo esperto para esse mundão de Deus, sabe-se lá para onde. A volta, poucas horas depois, é certa. As cenas repetidas, em lugar de serem maçantes, tornam-se incrivelmente novas e emocionantes a cada dia. É o prazer da integração com a natureza, numa volta à casa, às nossas origens. É um oásis a colorir e equilibrar as agruras da cidade grande.

Como é possível tudo isso?
Como foi dito anteriormente, basta oferecer alimento e proteção!

A grosso modo, as aves da cidade alimentam-se basicamente de grãos, insetos, néctar e frutas. Cada ave tem no seu regime, uma certa quantidade preferencial de determinados alimentos. Dessa maneira os pardais, pombas domésticas, rolinhas, canário-da-terra gostam de grãos como alpiste, painço, aveia, quirera de milho, etc. Os sanhaços têm preferência por frutas como mamão, goiaba, banana, laranja, entre outras. Os bem-te-vis, as andorinhas gostam de larvas, percevejos e insetos em geral, e beija-flores e os sebinhos, de néctar.

É interessante notar que essa preferência não quer dizer que a ave só se alimente desse tipo de substância. O pardal, por exemplo, come de tudo. Os bem-te-vis ingerem até os restos de comida de cachorro. Os beija-flores preenchem suas necessidades protéicas e vitamínico-minerais, comendo insetos em flores ou em vôos rápidos a partir de postos de observação. O mesmo acontece com os sanhaços.

A comida deve ser sempre de primeira qualidade. Os comedouros e bebedouros instalados à altura dos olhos do tratador ou pouco abaixo. É importante que eles estejam longe do alcance de predadores como gatos, cachorros ou crianças. Se houver pessoas com espingardas de pressão por perto, basta colocar uma tábua de proteção entre as vasilhas e o local onde fica ao atirador.

A higiene dos comedouros e bebedouros deve ser a melhor possível para evitar doenças nas aves. É necessário também que sejam largos e rasos para caber muitas aves sem brigas. A água do bebedouro deverá ser renovada diariamente ou mais vezes por dia, principalmente se as aves tomarem banho. Uma torneira gotejante resolve o problema.

Os bebedouros dos beija-flores devem ser construídos a partir de uma garrafa de refrigerante, de vidro ou de plástico, com furo na parte lateral inferior onde se introduz um tubo plástico, deixando uma protuberância de 5mm. Em torno do orifício deve ser aplicado esmalte vermelho para evidenciá-lo, já que a cor vermelha é preferida dos beija-flores, vindo a amarela em segundo lugar.

É possível também adquirir bebedouros próprios para beija-flores em casas comerciais. As flores devem ser vermelhas e amarelas. Depois de um mês, quando as aves já estiverem condicionadas ao bebedouro, podem-se retirar as pétalas para evitar a proliferação de fungos que fazem a ave adoecer.

O bebedouro deve conter uma solução de açúcar a 20% e ser tingida de groselha para melhor visualização. Os coerebídios não conseguem adejar em frente ao bico da flor. Enquanto existem pétalas, eles ficam presos a elas com os pés. Quando essas são retiradas fica impossível a eles beberem a solução. Por isso é importante construir um poleiro perto do bebedouro ou colocar o bebedouro perto do galho de uma árvore.

Com relação aos bebedouros dos beija-flores, é importante ainda considerar o seguinte:

1. Os beija-flores são muito agressivos, vivendo sozinhos, unindo-se o par somente para a cópula. Não aceitam que outra ave participe do seu bebedouro. Brigas entre beija-flores são comuns. Acabam até em morte. Se a freqüência dessas aves for grande é de bom senso instalar vários bebedouros.

2. Substâncias açucaradas atraem formigas e abelhas. As formigas podem ser contidas com algodão empastado em graxa, envolvendo o arame que sustenta o bebedouro.
As abelhas são mantidas à distância por uma ou duas estratégias muito simples:
a) É possível tapar o orifício do líquido e aplicar repelente de insetos nas pétalas da flor plástica ou em volta do orifício se não houver pétalas. A freqüência da aplicação depende da freqüência da visita das abelhas. O mau cheiro não atrapalha as aves, já que essas têm o olfato pouco desenvolvido.
b) As abelhas preferem grande concentrações de açúcar. O problema também pode ser resolvido se deixarmos uma vasilha com melado de açúcar perto do bebedouro. Tão logo seja encontrado, elas abandonam o bebedouro.

O bebedouro deve ser lavado diariamente e a solução é refeita, fervida, esfriada e oferecida aos animais. Assim teremos animais sem fungos em sua boca e garganta e nem a solução azeda, colaborando para melhor saúde e longevidade.

Se as aves acabarem com a comida, ela deve ser reposta antes do entardecer. Os animais gostam de se alimentar com mais intensidade de manhã e à tarde. Durante as horas mais quentes do dia ficam abrigados em árvores, tendo menor movimentação.

Quando as aves estiverem habituadas a encontrar a comida, pode-se colocar uma quantidade de grãos e solução açucarada no fim da tarde. Logo ao despertar, elas já terão o alimento à disposição.

Quando precisar viajar, vá diminuindo gradativamente a oferta de comida para ajudar as aves a encontrarem outras fontes alimentares. O mesmo deve ser feito se resolver parar de tratá-las.

A atenção deve ser redobrada em dias de chuva e no inverno, porque, geralmente, a procura é maior devido à escassez de oferta na região. Existe também o perigo de estragar a comida. Para evitar isso, deve ser instalada proteção nos comedouros.

As frutas devem ser oferecidas em pedaços firmemente posicionados em pontas de galhos secos, em vasilhas limpas ou até no chão. O importante é que as aves se habituem a encontrá-las sempre nos mesmos lugares. Pequenas marcas de bicadas são sinal de que elas acharam a comida. Não se deve deixar frutas envelhecidas para as aves. Com o passar dos dias já se terá acertado a quantidade a ser oferecida de maneira a não sobrarem restos. É possível até controlar o horário em que as aves procuram o alimento. Se for possível, árvores frutíferas devem ser plantadas no quintal e mesmo no jardim. As mais indicadas são as que produzem amora, pitanga, goiaba, caqui e até mamão.

Muitas aves gostam de larvas de insetos. Se for possível criar larvas do besouro Tenebrio molitor; elas são um verdadeiro regalo para as aves. Uma dúzia delas é suficiente, ou até mais se a quantidade criada permitir. O objetivo é simplesmente ter as aves por perto. Se a ave acostumar à pegar o alimento que não se mexe, pode-se oferecer, por exemplo, carne moída crua.

Flores do arbusto graxa-de-estudantes (Hibiscus rosa sinensis) atraem muitos beija-flores. Outras plantas que têm flores apreciadíssimas são crista-de-galo (Erytrina falcata), hibisco-de-sino (Malvaviscus arboreus mexicanus), brinco-de-princesa (Fuschia sp), abutilon (Abutilon sp) camarão-amarelo (Pachystichys lutea), tumbergia-roxa (Thumbergia grandiflora.

Os abrigos são importantes. Se forem do tipo caixa, além de oferecer proteção contra intempéries, servem também para a confecção de ninhos. Podem ser de madeira, latas ou cerâmica. Não devem ter poleiros na entrada e nem estar próximos a galhos. Isto evita a invasão de predadores, sejam estes aves, ratos e até gatos. Uma outra forma é confeccionar a tampa bastante inclinada, com 30° ou mais, para que os predadores não fiquem sobre ela.



A influência do adulto sobre as crianças
no trabalho de atração de aves.

Seria muito bom poder contar com o auxílio de crianças no trabalho de atração das aves. No entanto, embora o contato com a natureza seja para a criança uma coisa natural, ele pode ser estimulado ou dificultado pelo adulto.

Um educador indiferente, ou mesmo medroso induzirá nas crianças, fatalmente, o mesmo comportamento. Adultos para os quais a vida em contato com a natureza é uma necessidade, um hábito, terão mais condições de ajudar a elaborar nas crianças condicionamentos saudáveis.

É muito provável que as pessoas que hoje amam e, portanto, respeitam a natureza, tenham nas suas raízes lembranças agradáveis relacionadas a isso, geralmente próxima a pessoas que lhes proporcionaram essas condições. Talvez tenham tido pais ou familiares e até ídolos de comunicação de massa que tomaram iniciativas dignas de serem copiadas.

Exemplo disso é o fato comum de uma criança gostar de aves porque teve momentos agradáveis com os avós.


Todo o comportamento relacionado com a defesa do meio-ambiente deve ser consciente. A pessoa deve saber os porquês das atitudes. Mas se houver uma base emocional que envolva muito amor, o entusiasmo será muito maior!


Sem dúvida, para implantar esse amor, o modelo fundamental é o adulto com suas atitudes!

Que modelo estamos passando para nossas crianças? É um modelo digno de ser copiado e posteriormente desenvolvido?

Na educação é importante a criança poder participar dos nossos planos e do nosso entusiasmo e atração pelas aves. Nem que os "pequenos" não entendam muito bem. O que vale é o clima em que tudo é desenvolvido. Nesse trabalho muitas perguntas surgem: Quais os tipos de aves que podem ser atraídas? O que proporcionamos a elas? Como será a construção dos comedouros? E a instalação dos bebedouros? Quem vai tratar? A que horas?

Tudo isso é muito gostoso. É necessário, no entanto, observar que as crianças, como seres humanos em formação, não podem ser inteiramente responsáveis pelas atividades de atração das aves. Em princípio quem deve fazer tudo é o adulto. Nada é responsabilidade de criança. Esta apenas o acompanha. Um dia ela faz tudo com entusiasmo. Outros dias com nenhum gosto. Na maioria das vezes, nem acompanha o adulto. Não tem importância! Nesse trabalho ela nunca deve ser forçada a nada. Apenas precisa ser trabalhada para que tenha gosto em fazer um dia. Se a criança não gostar, a sua personalidade deve ser respeitada. Nem todos gostam das mesmas coisas.

Mesmo parecendo que não gosta, tudo fica gravado na mente infantil, principalmente o clima em que isso é feito. E se o clima é de felicidade ela tenderá a repetir e até aperfeiçoar o pensamento do seu modelo. Pode acontecer que não repita os mesmos gestos de colocar sementes, preparar a solução para os beija-flores, embora saiba como fazê-lo. Mas pode, e talvez isto seja o mais importante, opinar, educar, participar de campanhas e decidir sobre o futuro da natureza quando isso depender dela (e sempre depende!).


Conclusões

Quando as aves se aproximam de nós é possível admirá-las em toda sua beleza. Da admiração vem o desejo de protegê-las, seja alimentando-as como preservando o seu hábitat. Esse comportamento está na base da formação de um modelo digno de ser copiado pelas crianças e outros adultos. É também ponto de partida, impulso importante para a realização de modificações que se fazem necessárias na comunidade.

Portanto, mais que simples passatempo, a atração de aves é também a parcela de contribuição que o ornitófilo dá para o melhor conhecimento e preservação da natureza, a partir do seu exemplo.


Texto de: Sérgio de Almeida (São Carlos/SP)
© ATUALIDADES ORNITOLÓGICAS
nº39 Jan/Fev 1991, Pág. 06.


Ilustrações do livro "Aves Brasileiras",
de Johan Dalgas Frisch.

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