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                        Abandono, uma agressão ao animal e a sociedade

Vininha F. Carvalho – Diretora da Del Valle Editoria, Jornalista, Economista, Administradora de Empresas e Ambientalista.

Várias situações poderão levar uma pessoa a tomar esta atitude tão condenável. Em muitos casos, está diretamente ligado a impulsividade. A pessoa se encanta com o filhote e, se esquece que para ele se tornar um animal adulto exige muitos cuidados. Ao deparar com as tarefas do dia-a-dia, acabam por desistir do animal. Existe também, casos de pessoas que adquirem o animal buscando através dele status, e depois se cansam  do animal e os descartam como um objeto que não tem mais utilidade. Outras pessoas acabam adotando o animal e por questões financeiras, acabam não tendo como mantê-los e acabam dando a ele a chance de buscar outro dono, ou seja,  entregando-o à própria sorte. Outro fator que favorece o abandono é a  mudança de casa ou o envelhecimento do animal.

Infelizmente o abandono esta aumentando no Brasil , inclusive raça pura e pedigree já foram garantia de conforto e bons tratos para cães e gatos. Não são mais!  Atualmente, 30% dos bichos abandonados não têm nada de vira-latas. São Poodles, Rottweilers, Huskies Siberianos cocker spaniels e outros. As feiras que comercializam os filhotes acabam criando uma facilidade muito grande para que ocorra a posse irresponsável.

O abandono precisa ser encarado como um ato desprezível. O trato dispensado ao animal deveria caracterizar o perfil do caráter da pessoa. Quem o maltratasse deveria ser marginalizado pela sociedade. É um absurdo comercializar vidas dessa forma. São verdadeiras fábricas de filhotes, que não pagam impostos nem emitem nota fiscal.

Uma atitude reprovável  é  praticada por pessoas que entregam o animal num abrigo ou CCZS , na busca de uma solução fácil e imediata , sendo que  umas, até mesmo, jogam simplesmente os filhotes na porta. Abrigo não é solução, é problema gerado pelo descaso social. Do lado oposto de quem sonha montar um, existe a crença das pessoas em geral de que basta pegar um animal na rua e colocá-lo  num abrigo para resolver o problema. Se visitassem o abrigo, mudariam de idéia, pois conheceriam a triste realidade: centenas de cachorros se degladiando por comida, muitos doentes, e até casos de canibalismo gerados pela fome. Outra questão sem solução: para quem doar através do abrigos tantos animais  estressados e resultantes dos naturais cruzamentos, que nascem todos os dias?

O que a sociedade não vê, está muito claro para nós que buscamos a solução para o problema. Faz-se necessário  implantarmos uma campanha educativa, através da qual serão salientados: a importância da  posse responsável e o controle da natalidade, tornando ”CADA CIDADÃO RESPONSÁVEL PELO SEU CÃO". O animal precisa de identidade, não só de um teto, mas de carinho e respeito, e principalmente de liberdade para correr, brincar e se sentir importante na vida de quem o criou. A natureza faz o filhote, mas o homem forma o cão. O animal não precisa de DOAÇÕES para conseguir ter garantido seus direitos legais, mas de AÇÕES que visem valorizá-lo na sociedade.

O abrigo é a pior opção para quem busca uma solução para o abandono, armazena o problema,  permitindo que os irresponsáveis acabem adotando novamente, criando um facilitador para o sofrimento dos animais.

As doenças de origem animal capazes de infectar os seres humanos (zoonoses), representam atualmente uma ameaça invisível e registram um  aumento que preocupa os especialistas em saúde pública em todo o mundo, também estão relacionadas aos maus- tratos aos animais e ao abandono.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou que essas enfermidades representam um problema de importância crescente, o que significa uma continuidade do que temos visto nos últimos 15 anos. Os especialistas reconhecem que  as atividades e condutas dos homens  precipitam o surgimento das zoonoses. Entre outros exemplos, mencionaram a posse irresponsável e não cumprimento das medidas de prevenção recomendadas.

O próximo passo da OMS será no sentido de conscientizar e obter apoio político para a colocação em funcionamento de uma infra-estrutura de saúde pública e animal, incentivando a posse responsável  e o controle de natalidade. O principal alerta desta entidade diz respeito ao risco de disseminação de doenças como a raiva, especialmente entre cães abandonados nas grandes cidades.

Um dos países com experiências consideradas modelo para OMS é a Costa Rica, onde os donos de cães podem pegar até 3 anos de cadeia se não cumprirem determinação de cuidar de seus animais.

“Os cachorros têm que ser socializados para evitar mordidas. E os donos têm de saber que a responsabilidade é deles”, afirmou Eduardo Cárdenas, Vice-Ministro da Saúde da Costa Rica . “Assim como é deles o dever de esterilizar e evitar que os filhotes fiquem  na rua pegando e transmitindo doenças.”

Vininha F. Carvalho – Diretora da Del Valle Editoria, Jornalista, Economista, Administradora de Empresas e ambientalista.

                  Sites: http://www.sobresites.com/animais  e www.revistaecotour.com.br

                                   Email: vininha@vininha.com

                           

                                                                                                                                                                                                                         

             


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